Resposta de um homem ao ser assediado sexualmente:
- Minha querida, eu não troco minha mulher por ninguém, muito menos por uma linda boneca inflável como você! Além do mais, sua bateria já deve estar acabando.
Resposta de um homem ao ser assediado sexualmente:
- Minha querida, eu não troco minha mulher por ninguém, muito menos por uma linda boneca inflável como você! Além do mais, sua bateria já deve estar acabando.
Era uma vez uma estrelinha que entrou para um mundo encantado, cheio de sonhos e sorrisos.
Com o seu brilho único, a estrelinha rapidamente se mostrou bem diferente de todas as outras. E foi assim que em meio a um universo cheio de penumbra e escuridão, ela apareceu e encantou a todos. Eram elogios e mais elogios, sorrisos e amizades feitas para durar.
A partir daí, as outras estrelas e suas amiguinhas diziam que depois dessa linda estrelinha, o mundo encantado já não seria mais o mesmo, pois o seu brilho reluzente foi capaz de transformar tudo e todos por onde passava. A estrelinha deixava o seu rastro.
Todos a olhavam com um certo deslumbramento, muitos até mesmo não acreditavam no que viam. Já as criancinhas, cujos olhinhos eram negros de inocência, acendiam de alegria no momento em que a estrelinha passava. De lá pra cá, de cá pra lá. Era assim que ela distribuía alegria e luz num mundo mais embaixo – não tão belo quanto o dela, é bem verdade – mas onde essas criancinhas moravam.
A nossa estrelinha teve sua glória. Ah, isso ela teve! Mas eis que num belo dia, quando o céu estava azul e cheio de nuvens fofinhas, uma surpresa apontou no ar: a nossa amiguinha havia descoberto que era uma estrela cadente e que deveria se preparar para o seu último vôo.
É bem verdade que foi um susto para ela, pois a estrelinha achava que o seu brilho duraria por toda a eternidade. Mas tudo bem, ela aceitou sem murmurar. Afinal, essa não era a primeira vez que isso acontecia no mundo encantado das estrelas.
No seu último vôo, na sua última passagem, ninguém viu, ninguém notou. Sem amigos e sem admiradores, a estrelinha passou e se apagou. Nessa hora, se pudesse fazer um pedido, ela pediria um caminho de volta para onde nasceu. Mas no mundo encantado isso não era possível: como todas as estrelas cadentes, o seu tempo havia passado.
E assim termina a história da nossa linda estrelinha cadente, da nossa pouco talentosa e esquecida estrela decadente.
Aproveito este momento de puro delírio, meus companheiros, para propor aqui a morte dos homens das cavernas! Sim! Exatamente aqueles que fazem da ignorância uma falsa inocência. Um golpe perfeito de pura hipocrisia. Eles não perguntam, não argumentam: simplesmente agem. Eles não lideram, não formam equipes: apenas andam
Morte a todos que comem a carne e, num exemplo único de luta desleal e covarde, brigam pelo osso buco gorduroso e nojento. A agilidade que esses homens primatas possuem para isso é incrível, meus amigos e minhas amigas! É quase que uma devoção ao Santo Poder. A cristandade inabalável, onipresente e onipotente: poder, sucesso e dinheiro.
Não se enganem! No mundo existem vários homens dessa espécie. Em todo canto, em cada esquina. Eles correm e se aglomeram, uivam e matam. Sua formação grupal é simples: basta ter um pouco de ganância. Basta ter um pouco de nada e, na sua prepotência característica, dizer que tem tudo. Na verdade eles estão certos, companheiros! Porque eles têm o poder, e isso, ah... isso sim é tudo.
Para os homens primatas não existe pena! Matam e roubam sem dó nem piedade, e mesmo assim continuam livres. Até porque, para eles, a justiça é cega, mas não falha!
Mas eis que não podemos ser injustos. Não! Isso nunca! Nós temos que ressaltar suas qualidades. Esses homens sempre foram espertos. São seres peculiares, de rara astúcia, de inigualável inteligência. Que beleza, são esses primatas, meus amigos e minhas amigas! Eles não sabem o que querem, mas tem certeza do que não querem. Temos que bater as pedras, fazer barulho - o silêncio é uma forma de protesto - em homenagem a essa espécie superior e exclusiva. VIP.
Por fim, meus caros sonhadores, quero lhes confessar que também assim eu sou. Que também me calo diante do poder e da altivez dos homens das cavernas! Tenho de confessar: não é fácil ser Davi. É por tudo isso que sugiro, com a humildade de poucos: morte aos homens das cavernas! Morte aos homens das cavernas! Em nome do poder... Do sucesso... Do dinheiro... Amém!
Virtual sem igual
Deletar sem apagar
Site sem insight
Minuto sem luto
Segundo sem além-mundo
Horda sem hora
Amor sem valor
Braços sem abraços
Sexo sem nexo
Arte sem desarme
Publicidade sem verdade
Texto sem contexto
Ditadura sem abaladura
Discurso sem excurso
Democracia sem burrocracia
Dinheiro sem freio
Cifrões sem razões
Luxúria sem cúria
Pecado sem culpado
Estigma sem dogma
Divino sem celestino
Morte sem aporte
Vida sem desmedida
Partida sem despedida
Cinza. Dia nublado. Ele anda pela rua sem rumo, numa andança em que dá voltas e mais voltas, num conflito entre as faixas de trânsito e a velocidade dos carros. A buzina, como antes era de praxe, já não acelera mais o seu coração. Os carros já não lhe parecem tão grandes assim. São anos de rua, anos de idas e vindas, olhares e passagens. Conheceu novos lugares, cruzou com muitas cadelas de rua e perdeu a conta dos genitores que deixou pelo caminho. Também, quem haveria de querer um pai assim? Que num momento de puro instinto, trepou e nunca fez amor.
Sim, ele já teve um dia os seus momentos de afagos, aquela comida gostosa que vem da mão de uma pessoa caridosa. Mas hoje em dia os restos de comida são raros, e a fome é freqüente.
Foi-se o tempo. Foi-se o tempo em que se arriscava pela noite. Até porque os seus passos já não possuem mais o vigor de antes, que o fazia correr pelas ruas, totalmente ensandecido pela efemeridade que só tem a liberdade. Liberdade de ir e vir, de chegar e de partir.
Perdeu a paixão pela noite, e o escuro não mais lhe serve como proteção. O olhar perspicaz o abandonou, e daí vieram os fantasmas, coisas de uma visão turva, que teima em lhe fazer tremer pelos bueiros onde costuma dormir.
Animal! Não pensa, não trabalha, não finge! Mas de que vale a sinceridade sem alguém para admirá-la? De que vale a lealdade sem alguém para compartilhar? É um bicho solitário, sem destino, escravo dos seus devaneios.
Ele dá a volta em si mesmo e se deita na porta de um bar, observando a multidão que corre pelas calçadas. Eis que surge uma menina linda: cachinhos loiros, boca rosada, vestidinho de pano rosa. Ela olha para ele e sente pena – o pior sentimento que um ser humano pode ter. Dá um sorriso e diz: “Pai, me dá uma coxa desse frango? Ela está uma delícia!”. A menina, sorrateiramente, joga-a no chão. Ele corre e come ali mesmo, em meio à lama da chuva forte de ontem. “Luiza, quantas vezes preciso dizer para não fazer isso? Vamos! Sua mãe está nos esperando pro jantar.”. A menina faz cara de choro, mas sabe que não tem chances contra a altivez do pai.
O morador de rua não fica triste, pois sabe que aquele sorriso vai ficar guardado por toda a vida, em sua memória. O sorriso de Luiza. Pela primeira vez não haviam percebido que ele era apenas um cachorro sarnento.
Duas e meia da manhã. A meia-luz do quarto dá a sensação de que só existe Damião no mundo. O silêncio reina insolente pela rua. Asfalto molhado. Bueiro entupido. Somente um rato que passeia pelos entulhos, à procura do que restou do dia anterior. Damião, já acostumado com a sua insônia, levanta-se da cama e vai até a janela. De lá, ele vê rato. Corre para a cozinha e pega um pedaço de pão velho e mofado que estava em cima da mesa. Não sabe o porquê, mas alimentar o rato lhe dá uma certa sensação de satisfação e alegria. Damião pensa no quanto esse bicho tem em comum com ele. Vidas noturnas, verdadeiros amantes da escuridão.
Damião volta para cama, que agora parece mais dura do que nunca. O quarto é quente, a noite é fria. Liga o rádio, mas nada parece soar bem aos seus ouvidos, nem mesmo a sua estação preferida, que há tempos não ouvia. Pensa em como as coisas mudam de figura. Sabe que já foi feliz um dia. Já sentiu o seu coração bater mais forte. Um dia. Hoje, é apenas um passante pela multidão. Sem estímulo, sem cor. Não pensa mais nos sofrimentos dos outros. Fez questão de esquecer os seus. Assim como a dor lhe ensinou a gemer, a pobreza lhe ensinou o egoísmo.
Damião teve uma infância de alegrias raras, sorrisos tímidos e invisíveis, de canto de boca. Quando não está em serviço, o lençol amarelo, manchado e desbotado é o seu companheiro. Isso sem tirar as putas que de vez em quando o visitam com a sua indestrutível prepotência e estupidez.
Damião já foi capaz de amar. Uma vez esteve apaixonado. Ela era linda, e a inocência que brilhava em seus olhos o conquistou. E são em noites como essa que Damião sente mais a sua falta. Falta dos beijos, dos abraços, do corpo quente que inebria e entontece. Somente ela foi capaz de fazê-lo pensar que a vida tem seus momentos inesquecíveis, que a vida pode ser algo realmente interessante. Mas, como tudo que passa pelo seu caminho, Damião destruiu. O mais engraçado é que ele fez isso com a mesma habilidade de quando saiu de casa, aos dezesseis anos, totalmente despercebido pelo pai e pela mãe.
Agora as horas passam e tudo continua o mesmo. Algum barulho na cozinha faz Damião pular da cama sobressaltado. Corre, passa pelo banheiro mal-cheiroso e chega a tempo de dar de cara com um outro rato cinza, muito maior que o anterior, bem em cima de sua mesa. Damião não se importa com isso. Na verdade ele se preocupa em não fazer o mínimo barulho ao voltar para o quarto. Dessa vez, sente que não está mais só e adormece.
Ao acordar, olha em direção à janela. Os primeiros raios de sol invadem quarto adentro. Veste uma blusa qualquer e uma calça jeans rasgada que estava no chão. Calça o chinelo havaianas e sai.
Na rua, a claridade cega seus olhos e dá uma sensação de leveza. Caminha calmamente em direção à banca de jornal e procura pelas manchetes do dia. “Crime premeditado. Deputado assassinado cruelmente quando saía da Câmara”.
Damião dá um sorriso tímido e invisível, de canto de boca, igual ao que costumava dar quando era apenas uma criança.
É engraçado como as coisas são. A vida parece sem novidades, até que chega um dia em que tudo muda. Muda para melhor, muda para pior. No meu caso, mudou para muito melhor. Isso porque era uma segunda-feira, daquelas que não se quer acordar, num desejo imenso de dormir até o outro dia. Pois bem, levantei moído, tinha trabalhado até tarde e estava exausto. Tomei banho, coloquei um terno qualquer e corri para o ponto de ônibus. Ao chegar à empresa, eis que fui chamado para comparecer ao gabinete da presidência. Foi uma surpresa para mim, afinal, poucas foram as vezes que entrei naquela sala fria do último andar. Entrei. Estava nervoso. O que deveria ser?
- É... Eu te chamei aqui, Sílvio...
- É Roberto, senhor.
- Certo. Quero lhe apresentar a Sofia, nossa mais nova contratação da empresa. Ela deve estar chegando. Quero que dê toda atenção a ela.
Nesse momento, a porta se abre. O mundo parou e a sala se coloriu. Lá estava ela: “a mais nova contratação da empresa”. Parecia que vinha em câmera lenta, exatamente como eu via nos filmes de amor quando era criança. Cabelos morenos esvoaçantes, ao sabor do vento. Pele lisa, de uma brancura sem igual. Olhos verdes, que inspiram um mistério, que todo homem adoraria desvendar. Fiquei extasiado com tanta beleza.
- Bom dia, senhores. Disse com um sorriso faceiro.
É incrível, mas só por essa frase eu achei Sofia muito simpática, numa perigosa mistura de menina e mulher. O mais engraçado é que achei que já a conhecia de algum lugar. Fazia tempos que não me interessava por alguém. Poucas vezes o meu coração tinha batido assim, descompassado e acelerado. Sofia era, sem dúvida, uma mulher especial.
- Olá! Disse todo desajeitado, ainda me recuperando do momento.
- Oi, Roberto. Prazer
Dei um beijo em sua mão e depois olhei para o seu rosto. Foi então que percebi a boca de Sofia: linda e convidativa. Eu sabia que minha sorte tinha mudado a partir daquele momento. Estava feliz pela presença daquela mulher que, como num passe de mágica, parecia capaz de colocar um ponto final na minha vidinha monótona e sem graça.
Mais tarde, Sofia, agora na mesa ao lado da minha, pergunta:
- Estava pensando... Você não me é estranho.
- Sabe que também pensei a mesma coisa, Sofia? Disse com certa empolgação. Essa era a hora de me mostrar um cara legal, de bom papo... Conquistador.
- Onde você estudou, Roberto?
- A minha vida toda estudei num colégio na esquina da minha casa: o Colégio Nova Era.
- Não acredito! Também estudei lá muito tempo! Disse ela com um ar de surpresa.
- Espera aí! Como é o seu nome todo?
- Sofia Boaventura de Menezes.
Meu mundo caiu. Era a Sofia Boaventura de Menezes! A garota irritante que adorava me chamar de apelidos só porque eu fui uma criança, digamos, rechonchudinha. Era ela a responsável pelos meus dias de pesadelo na escola.
- Nossa! Que bacana! Temos de marcar então para nos encontrar fora daqui. Acho que vai ser ótimo relembrar os bons tempos, não é mesmo?
- Não mesmo! Sabe como é: tenho mulher, filhos... Na verdade, uma relação extraconjugal não faz parte da minha religião. E mais: a partir de hoje a senhora por favor só me chame de Sr. Roberto, ok? Vamos manter tudo no campo profissional.
- Mas...
- Aliás, está um calor danado aqui. Vou descer para tomar um refrigerante bem gelado. Light, se quiser saber.
Desci rápido pela escada, com o rosto espantado de Sofia na minha cabeça. Antes de chegar à lanchonete, passei pela farmácia e não tive dúvida: fui direto para a balança.
- Nossa! Preciso emagrecer. Se ainda me chamasse de “bolinha”, ou até mesmo “rolha de poço”. Mas “chupeta de baleia”! Aí já era demais!
- Cara, sei não, ó?
- Nem eu, bicho. Parece que agora não sei.... Enrolou de vez.
- Falô e disse, brou. Tá preto o bagulho, tá ligado?
- Tô.
- Mas beleza. A marmota deve tá nas últimas.
- Podes crê.
- Só...
- Só...
- Ei, chapa, e a mina?
- Na merma, mermão. Gata de responsa...
- Ô, e como.
- Vamo vê no que vai dá. Tamo só na curtição.
- Tô sacando...
- Sei não, mermão, mas parece que agora rola legal.
- Caraca! Show mesmo. Vê se fica na boa, pexe.
- Tá noiado porquê, rapá? Sai dessa, mano! Cê tá falando com “o cara”, sacou?
- Então tá beleza, brou.
- Só...
- Só...
- Ei, e aquele lance irado?
- Esquece. Já era...
- Beleza, chapa. Fui!
- Só...
- Só...
As notas deslizam pelas teclas e dançam animadamente pelo piano, parecem brincar com os meus dedos nervosos. Já não estão mais separadas. A harmonia delas me contagia. Toco sem virtuosismos, porque não quero chamar atenção. Afinal de contas, a música é só minha. Minha forma de expressar com ressonância o meu protesto. Em minha mente as notas caem como pingos d’água em um lago profundo e obscuro. Desse jeito eu consigo me perder no espaço delimitado e cúbico em que me encontro. Já perdi a noção do tempo. Afinal, “tempo” é apenas um detalhe que eu insisto em esquecer, mas já a memória... Essa eu resisto até o fim, pois vejo que em tempos como este, de sobressaltos e soluços, tantas músicas são esquecidas, tantos versos apagados... Sou um produto da sensibilidade que a música me deu. Tenho um ouvido sensível que, quase sempre, consegue perceber razões sem nexo, ideologias sem fundamento. É nessa hora que perco a censura, e a música, antes baixa e discreta, ressoa por todo o quarto fazendo as teias de aranha balançarem e o chão vibrar. Soa como um grito de socorro. Recuso-me a desaparecer na poeira que sobe dos dias agitados! Prometo, Sofia, que vou continuar esperando pelos dias musicais que você uma vez ousou sonhar! O dia em que conseguiremos juntar as notas dissonantes e cantar, num canto uníssono, a harmonia que só a paz pode ter. Por enquanto, simplesmente toco. Ainda que já não ouça mais a melodia que sai do meu piano. Lá fora, as bombas ecoam fundo pelo ar.
- Calma, vai com calma, meu amor.
- Pode deixar. Nossa! Que sutiã ruim de abrir.
- Deixa que eu abro, amorzinho.
- Não, deixa que eu faço isso, minha gatinha manhosa.
- Qual o problema, Paulinho?
- Ah, sei lá... Quebra o clima, sabe?
- Bobagem. Pronto. Por que você ta com essa cara?
- Deixa pra lá. Vem cá vem...
- Ei, espera aí! Acha que é fácil assim, é?
- Não entendi.
- Não é porque eu tô nesse lugar com você, que eu vá aceitar tudo, entendeu?
- Mas isso é normal. Você não confia em mim?
- Não é isso, mas é que... Sei lá, acho que não é legal.
- Mas eu te amo, amoreco!
- Então prova!
- Provar? Agora? Tem certeza?
- Agora ou nada feito.
- Tá bom. Se lembra de quando eu disse “eu te amo” pela primeira vez? Pois é, foi a mais pura verdade.
- Jura?
- Juro.
- Que foi agora?! Que que tá acontecendo com você Roberta? Que saco!
- Ai, não fala assim comigo...
- Não chora, fofinha do papai.
- Você nunca teve paciência comigo.
- Como assim “nunca teve paciência comigo”?
- É que eu sou... Bom, você sabe.
- Certo. E qual é o problema? Você tem que se soltar, desestressar.
- Me diz. Você tá acostumado com mulher fácil, não é? Seu cachorro!
- Calma aí, agora eu que fiquei chateado. Cachorro não! Homem sim!
- Viu, não disse que você é machista?
- Não sou nada!
- É sim!
- Não sou, não sou e pronto!
- Quer saber de uma coisa? Pra mim chega, tá? Vou embora!
- Calma! Vamos conversar.
- Cadê a minha blusa? Vou acender a luz.
- Espera...
- Ei! Pode colocar isso de volta, Paulo!
- Mas meu amor...
- Não me chama de “meu amor”, seu cachorro!
- Já falei que eu não sou cachorro! Pode parar por aí!
- Sai, sai daqui, seu cachorro! Não quero mais nem olhar pra sua cara!
- Ei! Olha como eu estou. Não faz isso! Espera!
- (...)
- Roberta, abre essa porta! Quer que eu seja preso, é?
- (...)
- Abre logo, Roberta! As pessoas vão ver. Já pensou se alguém descobre que nós viemos para cá? Acho que você não ia querer, não é mesmo? Já to até vendo a manchete: “Namorado tarado é pego com a mão na maçaneta”!
- (...)
- Abre, porra! Robertaaaaa!
- (...)
- Olha, tá saindo um carro no apartamento ao lado! Eles vão me ver. Abre logo! Caramba, agora complicou de vez.
- (...)
- Seu Herculano, o senhor por aqui...
- Cadê a minha filha, seu cachorro?
- Calma, não é nada disso que o senhor tá pensando. É que eu trabalho aqui...
- Deixa de mentira, rapaz! Quem é que trabalha nu? Só se você fosse ator pornô, o que tá difícil como eu posso ver. Vai logo dizendo: cadê a minha filha?
- Tá bom eu vou contar a verdade. Eu tô aqui com uma mulher, mas não é a sua filha.
- Eu sabia! Você não presta mesmo! Bem que eu disse pra biscate da mãe dela, mas ela não tava nem aí mesmo, só pensava no amante.
- Esquece o que passou, seu Herculano. Aliás, parece que o senhor já está se recuperando da separação, hein?
- Ei! Quem é você pra falar assim comigo? Cadê o respeito, garoto?
- Desculpa, seu Herculano. Olha, vamos fazer o seguinte: eu deixo a sua filha em paz, e o senhor me tira dessa. Que acha?
- Eu não devia, mas entra logo aqui no carro.
- Valeu, seu Herculano! Mãe?! O que a senhora tá fazendo aqui?