30.10.11

A Menina

Era uma vez uma menina que tinha seus cinco aninhos. Apesar da pouca idade, já era capaz de levar alegria por aonde ia. Todos diziam que era uma bênção viver com aquela menina que com apenas um sorriso revelava uma faísca de paz e amor. Até que um dia a menina, tão linda com aqueles olhinhos verdes, cheios de ingenuidade, não acordou tão sorridente como sempre costumava fazer. Algo de errado havia acontecido, e ninguém conseguia explicar o porquê disso. Nem um sorriso, nem um beijo aos que a cercavam. E assim correu o dia. Já ao meio-dia, a sua beleza já não era mais tão radiante. A menina bem que tentou diversas vezes mudar o andar do dia. Sem sucesso, preferiu calar-se. E assim continuou o dia e nada parecia ser capaz de tirar aquele olhar rumo ao nada da menina. Todos estavam preocupados. Às seis da noite, ao entardecer de mais um dia, todos já sabiam que aquele dia não era como qualquer outro para a menina. Havia algo diferente e sólido – pesado mesmo – no ar. Aos poucos a escuridão foi entrando pela janela da casa, e todos já sentiam um vazio no peito. Era um misto de tristeza com o pressentimento de que algo muito sério estava por acontecer. Foi quando a mãezinha da menina lembrou-se de mostrar a boneca preferida dela: a mais velhinha, a mais simples, a mais amada. Saiu um sorriso de canto de boca e nada mais. A noite se colocou de vez e, com ela, veio uma lágrima que rolou despretensiosamente pelo rostinho angelical da menina. Com as mãozinhas pequenas e frágeis, ela enxugou a lágrima e olhou para todos que, naquele momento, faziam questão de estar ao seu lado. Sem dizer palavra, a menina levantou-se de sua cadeirinha e foi para o quarto. Deitou-se na cama e de lá pôde ver o céu escuro e cheio de estrelinhas. Todas pequenas e brilhantes, assim como ela um dia foi. Esperança olhou para aquela escuridão e fechou os olhos. Todos sabiam que Esperança, uma linda menina, tinha partido. Depois daquele dia, a vida perdeu o sentido para todos. E foi o começo do fim.

27.10.11

Nada

Sabe aquela necessidade de escrever? Ela existe, mas o que não existe mesmo é um tema, algo que façam valer estas palavras, muito menos o seu precioso tempo, amigo leitor. De qualquer forma, deito estes escritos sem um roteiro, até porque, convenhamos, a vida desconhece planos. E isso é uma verdade. Incontestável. Assim como não há dúvidas disso, a sinceridade aqui colocada é algo que, digamos, é o grande ponto deste escrito. Não podemos chamar de crônica, seria demais, quase uma heresia. Mesmo assim, segue a construção desse textículo, sem eira nem beira, em uma fluência que mais parece algo paranormal, sobrenatural. E ainda que não tenha nada a acrescentar a sua digna vivência, caro leitor, ouso a continuar escrevendo. Não me importo com o final, nem mesmo se você até aqui continua comigo. Posso entrar simplesmente em um monólogo, numa completa solidão – não me importo. São palavras jogadas ao vento, sem ter nem por quê. É como se assoprasse, por meio de um sussurro, um segredo ao infinito, uma contribuição ao nada. De nada valem essas letras, esses fonemas, esses pontos e vírgulas, meu caro leitor. É um mero desabafo, um dizer que não tenho nada a dizer, não sou e nem estou. Meus dedos correm pelo teclado, sambam com os símbolos, brincam com a metalinguagem. Se aqui podemos definir algo, seria a metalinguagem, apesar de fazer questão que assim você, amigo leitor, o faça para mim. Evito o desnecessário e, talvez por isso mesmo, que não me calo – até agora. Escrever é dizer e escrever, pensar e viver. Uma tentativa desesperada rumo à eternidade. Não que eu tenha essa pretensão, não teria tamanha presunção. Não me cabe aqui dizer o que é certo ou errado, me abstenho. E faço questão disso: não me sujo com pouco, não me aposto no nada. E do nada é feita essa vida, assim como esse inútil escrito. Num rascunho faço mais uma crônica, talvez a mais vazia de todas. Desprovida de sentido, desprovida de vergonha, como tudo nessa vida deve ser. Você ainda está aqui comigo, caro leitor?

5.9.11

Rosinha

“Aquele filho-da-puta vai me matar!” – foi a primeira coisa que ele falou quando se levantou. Não tinha mais dúvidas e queria que o desfecho fosse diferente. “Como poderia, depois de vinte anos de casamento, aquela safada me trair desse jeito!” – continuou com a indignação.


Não tivera nem tempo de escovar os dentes, já saiu de casa bufando de raiva, disposto a pôr um fim a tudo isso. E o pior é que ele mesmo se sentia como se estivesse em um conto de Nelson Rodrigues. Já lera muitas vezes essas histórias e tinha certeza de que com ele não seria diferente: o sangue sempre encontra o seu caminho certo para o desastre.


E assim seguiu Roberto para a praça que ficava em frente ao seu trabalho. Claro que não estava com cabeça para trabalhar. Muito pelo contrário. Aquele “emprego de merda” não seria capaz de atormentá-lo. Não permitiria tamanha falta de respeito aos belos vintes anos vividos ao lado de Rosinha. “É simplesmente uma questão de prioridade, e pronto.” – consolava-se.


O canalha e porra-louca do Genival sempre se vangloriava contando as peripécias sexuais que faziam de Don Juan um menino. O pior é que Roberto mal sabia que muito provavelmente uma das “meretrizes” a qual Genival descrevia com tanto tezão fosse a linda, e singela, e sua, Rosinha. “Não posso permitir uma coisa dessas.” – falava e repetia baixinho Roberto.


Tudo começara quando ele resolveu apresentar Rosinha a Genival na festa de final de ano da empresa. Sabia que não era uma boa ideia, mas o uísque fez o favor de lhe convencer do contrário. Foi naquele momento que notou um olhar diferente entre os dois. Mas tudo bem: até aí nada de novo. “Poderia ser coisa do meu ciúme” – dizia Roberto para si mesmo, em uma tentativa desesperada de seguir em frente, como se nada houvesse acontecido.


Depois foram as ligações estranhas que tocavam na casa do casal, sempre na mesma hora e em dias alternados. No início Roberto achou que fosse uma brincadeira qualquer, mas depois de muito pensar, chegou à conclusão de que poderia ser finalmente um indício de que Rosinha, sua amada e estimada esposinha, estivesse finalmente dando a entender que o casamento entre os dois chegara ao fim.


Roberto, na verdade, sempre foi desconfiado, isso era claro e não tinha como negar. Desde os tempos de namoro, vasculhava a bolsa de sua amada e, apesar de não encontrar nada “revelador”, pensava que tudo era uma questão de tempo; afinal, “as mulheres sabem trair melhor que os homens". Isso foi o que ouvira durante toda a sua adolescência e não tinha por que contradizer algo tão senso-comum como essa afirmação.


E assim Roberto viveu com a sua escolhida: entre o medo e a verdade, entre a certeza e a incredulidade. Sabia dos poderes de Genival, um safado cheio de galanteios e com grana suficiente para dar a qualquer mulher o que ela bem quisesse.


Diziam as más línguas que Genival conseguia essa dinheirama em transações com o tráfico, mas até aí nada havia sido provado. Sinceramente, Roberto pouco se importava com a proximidade ou não do amigo ao mundo do crime. Vale ressaltar que o próprio Genival nunca afirmou nada que o comprometesse com a bandidagem; mas, como gostava de criar polêmica, também não se dava o trabalho de negar os boatos. “Faz parte do meu show, Roberto!” – dizia com entusiasmo ao amigo de longa data. “Até porque as mulheres gostam de um misteriozinho. Isso é afrodisíaco, meu caro.” – sorria com o hálito podre de quem fumava mais de três carteiras de cigarro por dia.


É por tudo isso que o sacana do Genival tinha que ser o homem que usou a sua Rosinha, que acabou com a ingenuidade da menina, que perdera com ele a virgindade aos dezesseis aninhos.


A conclusão de Roberto foi a certeza de que Genival queria matá-lo. Se ele era um obstáculo para o “amor sacana” entre os dois, “é claro que sua morte seria uma ótima forma de limpar a imagem da Rosinha para a sociedade; até porque é muito comum a viúva se apaixonar pelo melhor amigo do falecido.” – pensava Roberto no banco da praça.


Pegou o celular e ligou para Genival. “Fala, cara! Estou aqui na praça em frente ao nosso trabalho e descobri tudo entre você e Rosinha. Desce aqui e vamos resolver logo isso.” – disse Roberto com o rosto enrubescido. Não demorou muito e Genival despontava entre as sombras da recepção da empresa. “Cara, vamos com calma! Não é isso, bicho! Posso provar.” – disse Genival com as pernas trêmulas.


Roberto não teve dúvida e atirou uma só vez no peito do Genival, que caiu e bateu com a cabeça na calçada. O sangue do peito ia se misturando ao da cabeça. Roberto estava congelado e não conseguia correr. A multidão já se formava e o que estava na mão do Genival, voou, sendo levado pelo ar, flutuando como a alma do "sacana". Era a foto sorridente de Rosinha, onde no verso podia-se ler a palavra “loucura”.

20.7.11

Kilobytes

Quem escreve as próximas palavras aqui não é Luiz Fernando Veríssimo, nem Arnaldo Jabor, muito menos o famoso “anônimo”. Ora vamos! Vivemos uma crise de identidade. Seja no mundo real ou no virtual.

Afinal de contas, qual o problema de assinar com o próprio nome as apresentações de PowerPoint? E no final de tudo, a gente não sabe mais quem é quem. O duro mesmo é ter mais de mil amigos no Facebook e tomar café da manhã com a solidão pela manhã.

Mesmo rodeado por amigos e seguidores, estamos sozinhos. Somos capazes de opinar sobre tudo e todos no Twitter e a sensação é de que estamos falando sozinhos. As palavras voam a cada tweet, e a vida passa a cada segundo.

O que quero dizer, meu amigo, meu caro, é que fingimos viver uma realidade que, na verdade, é virtual – falsa. Filosófico isso? Talvez. Triste? Com certeza. Então façamos o seguinte: vamos dar as mãos e mostrar ao mundo que o mouse vai aonde quer.

Troquemos nosso coração pelo processador e vamos assumir que o nosso sangue agora é formado por kilobytes. Mas não se preocupe: qualquer coisa é só dar Control+Z e aí tudo bem.

Sou Bruno Guerra. Talvez você não me conheça, mas sei que tudo aqui tem a ver com você. Tem a ver com tudo. Ou com nada. #FATO

22.6.11

I WISH YOU

I wish you nothing
Nothing but sadness
I’ll prove you I’m still alive
I’ll stand up and not cry

I wish you everything
Everything but happiness
I’ll care about myself
I’ll share my raw cells

I wish you nobody
Nobody but loneliness
I’ll test my electrical feelings
I’ll show you my way of seeings

I wish you everybody
Everybody but my companion
I’ll hate your eyes and mind
I’ll feed things you used to lie

You and I
We used to be together (so nice)
You and I
We used to last forever (so tided)
You and I
Me and You
(Yours and Mine)
In Opposite sides

14.6.11

Mrs. Loneliness

Mrs. Loneliness
What have you done to me?
Mrs. Loneliness
Where are you taking me?
Things are so distant from here
Better ways once I wanted to be

Mr. Loneliness
Is this your color that you paint me?
Mrs. Loneliness
Isn’t this night so estranged?
Even if the sun comes around
Even if I keep walking on the ground

Mrs. Loneliness
Which options have you given me?
Mrs. Loneliness
What have you done to freeze me?
The words, they just don’t come
Time’s changed and I feel my luck is gone

Mrs. Loneliness
So take me home and don’t leave me alone
Mrs. Loneliness
Stay beside me because I just can’t go on
Stay here just for today and help me to find grace
Because in the end, I’m going to find my way

2.6.11

Ordinário

Um dia normal. Nada que valha a pena ser colocado aqui, nestas páginas amareladas. Mesmo assim este é o meu diário, tenho que escrever nele todos os dias. “O diário de uma vida ordinária”, é o nome que te darei. Bom, hoje acordei sem motivo e, pra variar, sem compromisso. Meu café da manhã foi o mesmo de sempre: uma xícara de café. Bem amargo. Depois, TV ligada para o nada, cabeça nas nuvens, pensando em algo que nunca fiz, nunca disse. Mas sigo em frente, e a fome não chega. Isso – não ter fome – já não me incomoda mais, sou sincero. Menos um problema, eu diria. Hora do almoço é pretexto para sair de casa então. Ando pelas ruas que parecem não ter nomes, ao menos não as conheço e não me darei o trabalho de assim o fazer. Até porque vou sem destino – que lugar-comum, não? – e paro num boteco sujo – esse lugar comum. Peço uma cerveja e não me importo. O fato de ela não estar gelada não me diz nada, não me faz pedir outra. Não gosto de beber, não gosto de nada que me tire do normal. Não. Mas continuo: o boteco me deixou morgado muito rápido. Paro em frente a uma loja de casacos. Todos muito caros. “Mas quem pagaria por isso?”, pergunto sem resposta. Bom, já ouvi dizer que tem gente para tudo. Pra mim isso é bom, eu penso. Afinal de contas, ainda deve ter uma saída para tudo que desejo, coisas que aqui posso listar, mas me lembro de já ter feito isso outro dia. Às duas horas da tarde – sei porque olhei o relógio da praça – o calor me deixa sem ar e exausto. Paro mais uma vez. Pra ser sincero não me lembro qual lugar, mas que diferença isso faria? Aliás, não sei nem o porquê de ainda escrever estas bobagens neste diário medíocre. Talvez uma forma de ainda me sentir vivo? Não sei. Não sei. Me lembro de que hoje suei como um porco – e porco sua? –, enfim... Já faz duas semanas que uso a mesma camisa branca. Ela agora está aqui, encostada na cadeira ao lado da cama. Noto que ela está meio amarelada, mas tudo bem, não me daria ao trabalho de lavá-la mesmo. Meu Deus! O que estou dizendo? Ah! Me lembrei que hoje fiz uma coisa que há anos não fazia: comprei um ímã de geladeira. Já tenho mais de duzentos, mas achei esse legal porque era bem pequeno e tinha escrito “olha a dieta”. Venho perdendo peso já faz um tempo, mas gostei da ironia. Gosto de fazer isso comigo mesmo. Não tenho razões para me levar a sério. Aprendi isso com o meu pai, mas isso já é outra história. Que mais contar aqui, meu diário? Que monotonia! Já sei! Vou escrever agora mesmo uma carta de suicídio e jogá-la pela janela do meu quarto. Quem irá notar a minha falta? Não! Comum demais! Preciso de algo mais impactante. Preciso fazer algo que as pessoas se lembrem de mim para sempre. Mas o que seria? (...) Bom, meu diário ordinário, vou dormir. Amanhã eu penso nisso.

28.4.11

Coisas Boas em Ter Morado em São Paulo

- Ter aprendido a conviver comigo mesmo

- Ter dividido uma cama gigante com uma mulher linda chamada Solidão

- Pastel de Feira

- Sorvete de Iogurte

- Pizza boa em qualquer lugar

- Ouvir Kiss FM todos os dias (depois de um rock sempre vem outro rock)

- Aprender que acordar com a luz do sol faz sim diferença

- O trânsito é um inferno, mas é culpa sua fazer dele uma vida infernal

- Ter aprendido que 60 km por dia é uma distância que vale para ter uma boa companhia

- Ter conhecido Dayana

- Ter conhecido Juliana

- Ter conhecido Absolut

- Ter conhecido MASP (viver nele)

- Ter vencido momentos que poucas pessoas venceriam

- Saber que a vida é feita de coisas pequenas, elas fazem a diferença

- Ter visitado museus, cinemas e teatros

- Ter aprendido que uma agressão gratuita é algo que tem um valor muito alto

- Entender que uma amizade de verdade sobrevive ao tempo

- Ser conhecido pelo próprio nome na Starbucks

- Ser conhecido pelo próprio nome nas baladas de rock

- Almoçar o mais fino da culinária paulistana e jantar pão com mortadela

- Ter tido a oportunidade de se vangloriar e, mesmo assim, nunca ter feito isso

- Ter mantido o controle emocional (ainda que parecesse impossível)

- Ter entendido o verdadeiro significado de “estar à flor da pele”

- Ter me tornado uma pessoa mais afável e fervorosa

- Ter a certeza de que só ter vontade não é tudo nesta vida

- Aprender que a gentileza pode acalentar corações frios (e até mesmo gélidos)

- Entender que sucesso mesmo é estar feliz

- E, por tudo isso e muito mais, descobrir que amor e paz são tudo nesta vida

13.4.11

Ser e Estar

Eu quero tudo, quero mais amor

De frio eu prefiro o calor

Eu quero voltar, quero mais luar

De grandeza eu prefiro o mar


Eu quero continuar de onde parei

Quero ir além, diz que voltei

Sou menino, garoto, pequeno

Quero o bem, diz que desafio e não temo


Ser e estar, querer e mudar

A vida segue, vai ela sem parar

Lá fica o que é meu, solto pelo ar

Cá estou eu, de volta pro meu lar

20.2.11

These, This and That

Who’s gonna stop my shotgun

Who’s gonna stand my sun

I’m a fortunate son, I’m a hurricane tongue.


I’m invincible like a hammer

Unconquerable such a fighter

I haven’t made that, I’m not a part of tags


Yes I was born to be bad

I’m used to be sad, said my mom and dad

No I am not what you really need

I’m just the monster you feed


Don’t care about you, Well I don’t even listen to

So take up your fears and move up and around

Yeah, It’s time to you hit the ground,

That’s for me is a sweet sound


I got my shotgun, I got my head in the clouds

I got my own sun, I got you naive clown

I got these, this and that, baby you act like an ass

28.11.10

PRINCESINHA DANADA

Eu te falei

Que a vida não é tão fácil assim

Que todo amor um dia tem fim

Eu sempre quis você pra mim


Eu te contei

Que as dores no meu coração

São todas suas e não tem perdão

Agora sou eu que digo não


(Refrão)

Princesinha danada

Você que um dia foi minha amada

Agora não adianta, é folha virada

Eu fiz de tudo e não deu em nada


Eu te avisei

Você sabe que um dia eu te amei

Jogou fora o amor que eu te dei

Agora sou eu que digo não sei


Eu fui seu rei

Construí um castelo de amor

Pena que tudo isso acabou

Tchau, até mais, menina, eu já vou


Refrão (150 vezes)

19.11.10

E Se?

E se tudo não passasse de um sonho?

Se tudo foi parte de uma noite apenas

Quando as lembranças se misturam em várias cenas

Do amor à indiferença, e de tudo que é ruim e o que é bom


E se tudo não passasse de uma confusão?

Que toma a alma e enche de amargura a razão

Ainda que fosse um caminho de alegria

Uma vida que pensamos que tudo um dia seria


E se tudo fosse por mero acaso?

Capricho do destino, sutil favor da vida

Fortaleza de amor verdadeiro, entre idas e vindas

Quando tudo que precisássemos fosse somente mais um passo


E se tudo tivesse um caminho de volta?

Um caminho que nos trouxesse o amor por inteiro

O amor de sempre e que se cumpre como real e verdadeiro

E que dentro do peito insistentemente brota

4.4.10

Nós

Enquanto você brinca de viver, eu vivo.
Enquanto você finge ser feliz, eu sorrio.
Você é pedra, eu, vidro.
Você é dura, eu duro.
Você acha, eu acerto.
Você faz arte, eu sou arte.

Enquanto você com pouco se encanta, eu me completo.
Enquanto você com tudo se contenta, eu me invento.
Você quase, eu já.
Você sempre, eu nunca.
Você é tudo, eu, brando.
Você é frio, eu ardo.

Enquanto você sempre diz por favor, eu esqueço o obrigado.
Enquanto você se faz de vítima, eu não me faço de rogado.
Você precisa de dois, eu sou um.
Você vive o agora, eu faço a hora.
Você tinto, eu branco.
Você pensa, eu faço.

Menina-mulher, assim é você.
Homem-menino, assim sou eu.
Opostos nós somos, compostos nos tornamos.

3.4.10

Who or When or What (B. Guerra)

Who am I to carry these loving fears
And who was I when I use to dry my tears
What will I do now that I can’t cry
What will I do when I feel so shy

Who’s gonna pull the trigger
Who’s gonna call me by stranger
Baby, It’s all on my mind
Honey, I just can’t deny

(Chorus)
Thanks for make me crawl
Thanks for let me down
Thanks for make me fall
Thanks for nothing at all


Where should you be in my lies
Where will you be when I leave you behind
So please now bring me the mirror
Show my scar face while I sink in the black river

16.3.10

It's All Done (B. Guerra)

I’ve walked alone
I’ve had friends once
Now It’s all gone
Just need to rest in peace

I’ve just arrived from nowhere
I’m right here with my shadow
Now that It seems to be done
Just need to relax and sleep

I’ve carried the world on my shoulders
I’ve drawn the line on the horizon
Now that life seems softer
Just need to lay down and down

I’ve worked hard yesterday
I’ve been young for a while
Now that my face isn’t the same
Just need to RIP and fly away

(Chorus)
I’ve been around
I’ve slept on the ground
Now that I’m old, It’s gone
Now that I’m sold, It’s gone
It’s gone, It’s all done

18.12.09

Rosie

You were born to die
Your life’s a great lie
Wait ‘til I get home today
I’ll help you find another way

You’re just a kind girl
Even when you lose your nerve
So bring the rainbow with you
And keep the beauty into you

(Chorus)
Rosie, your pride, what have you done?
Rosie, tell me why, where have you gone?
Rosie, It’s all up to you
Rosie, so long for you

So now that the sun went back
So now that the bad taste’s back
Take a look, here’s your change
Money doesn’t seem so strange

Well I’m not worry to say sorry
Now It’s you and what army?
Goodbye, you softly lies now
Goodbye, your breath doesn’t sound

You’re all alone, it’s not wrong
You’re all alone, here’s your sad song

Everyday Man

Walking through the past
It’s always simple and fast
The shadows don’t smile
Anymore

Things that whisper things
And bliss that moves the leaves
They always look the same
Anyway

And comes and goes a day
Feeds my simple way
I always feel the same
I don’t care

Well I’m just another guy
Not requested life
Things don’t seem to rhyme
I don’t mind

(Chorus)
Forever and ever
Over and over
Again and again
Anything, Anyway
Anyone, Anyplace

7.12.09

NUMSEGUNDO

tudonumsegundocomosefosseoúltimosemarsemparsemnadasóvocêsósóesóchegaahoradeacertarascontasaluzdosolcegaosolhosassimcomofazadorreluzirsobreapelequeserasgacomopapeledelasurgeovermelhovivoquesujaotecidoantesbrancoepensoemmomentosqueficamnanoiteacordadonobanhodemarnasensaçãodeliberdadenoventoaorostonamúsicapreferidanacomidaquefazsalivarnoprazerdevinteminutosnocolchãomacionosonoperdidonadorderirenaverdadederirdadortudopassasempararpelacabeçatudocomprimidopelaurgênciadoagoranafaltadepiedadedeseirmuitocedorumoaseiláoquêsemsaberseirávoltarnumconfusãonacabeçaenochacoalharentreareiaegalhosnorugirdosmetaisedosgritossilenciadospelomedotudoparecefácilpartidoemalentendidotodosetudosevainumgestodeamordesustodepenajesuspassarápidoúnicoapoionomomentosoltoaodestinosemdestinosemnoçãotudosefeznuminstantenumamostradequeotempopassamasaalmaficaassimcomoacertezadequepodeterofimcheg.... ..... ...... .. .. . . . __

14.10.09

Amor, Demasiado Amor

Mal podia esperar para vê-la de novo. Bater à porta e mergulhar naqueles olhos azuis que sempre o fascinou. O problema é que o sol ainda nem tinha nascido, e ele continua em claro. A noite, assim como tantas outras, transborda em sonhos e se mistura à música infame que a rádio toca no seu quarto. Ele se levanta, vai até a cozinha e, num lance de espelhos, vê suas costas desnudas. Não vê nada, mas a sensação de ter alguém atrás é real. Toma um copo d’água e pensa que essas sensações devem ser frutos da sua solidão. No reflexo do armário da cozinha, ele vê seu rosto marcado por olheiras e barba por fazer. Havia assumido essa cara-de-quem-não-quer-viver desde que ela viajou. Não fazia tanto tempo assim. Foi num domingo acalorado, disso ele se lembra muito bem. Mas o tempo não importa para quem desistiu de viver e prefere morrer de amor. Ainda na cozinha, puxa a cadeira de madeira e faz do desconforto o seu companheiro para o resto da noite. Os primeiros raios solares surgem pela fresta da janela e começa a esquentar levemente a face do homem, há pouco adormecido. Ele então abre os olhos lentamente e sente uma espécie de alívio. Havia chegado a hora. Pega o celular e com os restos dos créditos diz a ela: “amor, estou indo para aí. Me espera?”. A mulher diz que sim e completa: “não demora.”. Ele abre a boca e quando vai falar, ouve o sinal de desligado do outro lado da linha. No caminho, o homem olha pela janela do ônibus e depois para seu relógio, que continua a contar. Quando desce do ônibus seu coração bate ainda mais forte. Bate à porta da mulher com força, como se dissesse “estou aqui. Estou de volta.”. Lá de dentro vem uma voz que diz para esperar, pois, explica, estava acabando de se arrumar. Ele imagina aquele corpo nu que tantas vezes o levou ao ápice, à falta de ar num êxtase total. Por instinto fica excitado com o mistério. Como ela, a sua amada, estaria quando a porta abrir? A fechadura range, e os olhos dele se encontram com os dela. “Era tudo o que queria”, ele pensa que ela deve pensar. É quando ela diz “não vai entrar?”. Num golpe rápido a faca corre pela garganta da mulher cujas pupilas agora estão abertas, escancaradas. O sangue explode e mancha de vermelho escuro a parede. A porta bate. Lá fora, o sol continua a nascer.

12.10.09

A Vizinha

A vizinha ao lado é uma daquelas mulheres que não passam pela rua sem chamar atenção. Corpo escultural, que por debaixo da roupa (sempre preta), mal escondidas ficavam curvas delineadas e altamente sensuais. Posso dizer que tive sorte. Até porque não é sempre que uma vizinha surge do nada, bem no meio de um domingo sem graça, dia em que a vi pela primeira vez. Naquele momento, dei um sorriso desengonçado, e ela me respondeu com outro ainda mais tímido. Foi o início do surgimento de várias perguntas em minha antes tão pacata mente. Será que ela é boa de papo? Posso até um dia bater na porta dela e perguntar qualquer bobagem - isso se a minha já falada timidez permitisse, é claro. A minha adorável vizinha! O que será que ela faz? Quem afinal de contas é ela? Sinceramente não sei e nem tinha espírito de detetive o suficiente para descobrir mais detalhes da sua vida, tão marcada por um grande e desafiante ponto de interrogação. Da ponta da minha varanda dava pra ver que raras eram as vezes em as luzes do apartamento dela se acendiam. O preto era tão presente na vida da minha vizinha que isso só fazia aumentar a minha faminta curiosidade. Num raro dia de descuido e sorte, lembro-me bem, encontrei a minha vizinha de camisola preta, transparente, na varanda. “Mas o que faz uma pessoa ter tanta fissuração pela cor da solidão?”, pensava eu. Um dia tive a coragem de dar uma rápida olhada no lixo daquela mulher que, àquela altura, já povoava todos os meus sonhos (e pesadelos). O mistério é um ótimo tempero para os amantes. Pizza e (vários) cigarros de maconha foi o que encontrei ali. Não reconheci a maconha de primeira, mas me lembrei do meu primo, que no telhado da casa de praia da nossa família, não cansava de me oferecer o tal barato. Mas voltando... “O que faz uma mulher tão linda, amiga inseparável do escuro, viver de pizza e de maconha?”. Eram tantas perguntas que às vezes me faziam ter um ímpeto, ainda que passageiro, de bater a sua porta e dizer “que tal conversarmos?”. Nunca fiz isso, como você já pode prever. Sou previsível mesmo, confesso. Tinha de me contentar com as perguntas e todas as milhares de respostas que a minha criatividade produzia. Mas como tudo na vida tem um desfecho, eis o meu e o da minha adorável vizinha. Era o primeiro dia de inverno e eu cheguei do trabalho mais tarde do que costumava. Estava frio. Vi luzes brilharem já na portaria do meu prédio. Quando cheguei mais próximo percebi que eram sirenes. No chão, uma rachadura profunda por onde escoava um sangue vermelho flamejante. O porteiro não se fez de rogado e disse logo para mim: “sabe o que aconteceu?”. “Não”, disse eu. “A sua vizinha. Já foi! Pulou lá de cima e eu, daqui de baixo, só pude ouvir a batida seca.”. Tive uma tontura e subi rápido para o meu apartamento. Passei pela porta da minha vizinha, que pela primeira vez estava escancarada e lá de dentro dava para ver os uniformes dos policiais. Vinte minutos depois, minha campanhia toca. Um policial pergunta: “o senhor a conhecia?”. Olhei no fundo dos olhos do homem e disse que não. Completei: “tudo o que sei é que parecia ser uma pessoa maravilhosa.”. A minha vizinha morreu da mesma forma que a conheci: num piscar de olhos, na duração de um sorriso tímido. Já eu, bom, eu tinha o resto da vida para imaginar quem realmente ela era. A timidez, como sempre na minha vida, venceu.